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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Carta ao meu irmão


Despedindo-me da família e dos amigos mais próximos não pude deixar de expressar através de uma carta direcionada ao meu irmão que é viciado em drogas o meu mal estar com toda esta situação. Poderia ter sido diferente se ele se redimisse e aceitasse as inúmeras propostas de internação e conselhos amigos. No final venceu a droga e acabei desistindo de tudo...



Caro irmão.

A vida trás muitas coisas, coisas essas que materialmente não tem valor nenhum, pois daqui não se leva nada. A única coisa que importa realmente é a união familiar, os laços de sangue que supostamente deveriam ser mais fortes que qualquer problema que a vida nos impõe pela frente, mas infelizmente vejo a nossa família totalmente desestruturada, com cada individuo vivendo sua vida, curtindo separadamente os seus aparelhos de televisão e a solidão dos seus quartos... Infelizmente vivenciei isso em primeira pessoa e confesso que não gostei do que vi.

Eu queria mudar o mundo, tirar você deste abismo sem fim e que só você mesmo pode parar a queda livre e descontrolada, bastando simplesmente ser humilde e honesto consigo mesmo. Basta lutar e lutar sem baixar a guarda e, principalmente buscar ajuda. Já falamos isso muitas vezes e até brigamos pelas conseqüências deste enorme problema, mas acho que pode ser que esta seja a última vez que eu possa te dizer isso, pois me vou daqui, muito triste e frustrado.
Triste por deixar a minha família necessitada e desestruturada e por não ter condições de ajudar, de pensar que jamais vou ver vocês de novo e que tenha que voltar para o Brasil para o funeral de alguém da família e ter que brigar por aquilo que restou... Não restando um lugar pra chamar de lar...

Esta etapa da minha vida me transformou, trouxe um lado feio que não gostei nada de vivenciar. De ver a geladeira vazia e a dona Odete passando fome assim como passei algumas vezes... De ver como nossos alimentos desapareciam, de como ninguém jamais ajudou a dona da casa com as contas e as dívidas que todos nos fazíamos. Até para a neta dela ela tem que pagar. Acho isso uma imensa falta de vergonha na cara e desrespeito.

Como se pode viver em um ambiente assim? Com pessoas sangue-sugas que não se importam com nada? Que a mentira predomina e reina como se fosse super real?
Sabe? Vivenciar a experiência de ter que aceitar caridade dos outros e engolir a seco porque ela veio a suprir um pouco as nossas necessidades me fez um homem diferente, que agora acredita mais no poder da caridade e menos nas coisas materiais... Coisas estas que foram sistematicamente extraídas de mim sem meu consentimento.

Aprendi o valor de uma boa amizade e que ela pode estar muito além das fronteiras familiares, do tempo e da distancia.

Aprendi a amar sem necessitar ser amado e aprendi também que o amor vem de diferentes formas, e que a união de todos os amores nos traz mais próximos da perfeição.

Esta passagem por este difícil caminho faz com que meu coração escolha retirar me de perto de vocês. Não por querer, mas por necessidade de não me afogar na incapacidade e frustração ao lidar com este delicado problema que são as drogas dentro do lar. Não somente as drogas, mas o desleixo e falta de vontade de lutar.

Eu sei, por que me sinto sem forças para lutar ate para mim mesmo. Ignorei vários sinais e me recluí ao santuário que criei dentro do meu quarto e esperei o tempo passar inutilmente.

Espero que sejas feliz nas tuas decisões. Só quero relembrar que ainda ha tempo de se redimir e ajudar a tua mãe que necessita um pouco de paz e tranqüilidade nos final de sua passagem com a gente por aqui. Comigo não te preocupes... Na próxima encarnação você estará ocupado em arrumar tudo aquilo que você conseguiu destruir por prazer próprio.

Cuida da tua mãe e da tua filha que não merecem aquilo que estas fazendo... cuida do teu lar porque logo logo nem isso você vai ter.

PAZ

domingo, 15 de julho de 2012

A VELHINHA


Parei em um farol de uma esquina bem movimentada e aproximou-se de mim uma senhora de idade bastante avançada vendendo uma caixinha de chicletes.
O que mais chamou a minha atenção foi a sua cara bem maltratada pelo tempo e o seu olhar brilhante e cheio de vida.
Ela me disse se eu poderia comprar uma caixinha de chicletes por 2 reais, que era pouca coisa que ela podia oferecer e que ainda não havia vendido nada.
Perguntei quantos anos ela tinha e depois de pensar um pouquinho ela me respondeu que tinha 95 anos com um brilho enorme no olhar. Demos 2 reais para ela e dissemos que ela podia vender aquela caixinha de chicletes para uma outra pessoa. Ela nos agradeceu com todo o seu coração.
Tirei o celular do bolso para tentar tirar uma foto daquela pobre senhora, mas o farol abriu e os carros começaram a buzinar, assim não pude tirar uma foto dela para postar aqui.
Fiquei com a imagem desta senhora  na cabeça por muito tempo e não deixo de pensar como a vida moderna de hoje é tão injusta com aqueles que, em seu dia, deram condições e fizeram um mundo melhor...
Será que ela está lá na rua buscando a vida porque necessita? Ou será que a rua seja um lugar que faça com que ela siga vivendo longe do desagrado de familiares que acreditam que um idoso possa ser um estorvo ou uma pedra no caminho?

O mundo, com seus conceitos capitalistas estão a cada dia se tornando um lugar muito ingrato de se viver...